terça-feira, 26 de novembro de 2013


"Assim como a moralidade, o intelecto é um bom servo e um mau mestre."
Alan Watts



Vergo-me ao mundo e à validade moral que me prostra os argumentos. Assumo a minha derrota perante a racionalidade vigente, pois não há vontade nem parecer próprios que resistam às leis naturais da razão moral que se lhes opõe. Por isso, aqui como em qualquer outro lugar do universo, calemo-nos. Reconheçamos que a palavra só existe fora de nós e que a subjectividade que impregna as vontades e pareceres individuais, heresias contra-natura, escrúpulas doenças para a vontade e pareceres alheios, só tem lugar no silêncio. Todo o esforço para que tenda a palavra manifestada se direcciona noutro fim que não o previsto.
Que sobre o silêncio. Onde possamos gritar de boca fechada o amor que sentimos por alguém, a opinião que temos sobre o mundo, a verdade que detemos sobre nós. Que me sirva este egoísmo para, pelo menos, não me esquecer que, apesar de imoral aos olhos dos outros, não sei que outra realidade possa ser a minha senão esta. Que seja, então, linchado em praça pública. Mas a mais importante de todas as minhas imoralidades é a de que a minha perspectiva do amor é de que ele é tão mais que palavras ditas entre sorrisos, presentes, surpresas e viagens. Não termina com o tempo, não é substituído nem cansa quem o sente. Não é abandonante, substituível, esquecível ou descartável. É incondicional e o seu fim não é opção, mesmo que hajam fortes razões que o queiram determinar. Hoje, poder-se-á dizer que moral é aquele que trai a mulher que o traiu primeiro, aquele que vira as costas às mil tentativas frustradas de fazer resultar, que abandona quem o trai, que atira aquilo que chama de "amor" à rua depois que "descobre" não ser aquilo que pensava sentir. Assim como eu, quem o sente, sabe que é. Não desperdiça. Sabe que mil tentativas não bastam, porque na verdade, se é amor, é para a vida inteira; que venham infinitas tentativas, porque enquanto se tenta, de facto, já se consegue. Isto é moral para o vizinho, para o amigo e até para a família. Hoje evita-se sofrer, nem que para isso se tenha que abdicar-se de alguém. Para mim, que não me calem as palavras desta vez, isso não é amor. Eu amo aqueles a quem me entrego desde a primeira vez que o senti... Os amigos, a família e... Tu. E, para mim, isto não é questionável.

Afonso Arribança

1 comentário:

Paula disse...

coitado do amor. esse que dá nome a tantas coisas que não ele. esse que tantas pessoas querem e dizem ter e na verdade nunca conheceram.

esse que muitas pessoas tem no seu lado e nunca valorizaram (: