quarta-feira, 11 de Novembro de 2009


"Posso resistir a tudo, menos à tentação."
Oscar Wilde



[Imagem: Google]

A debilidade emocional do ser humano enaltece-lhe, desde sempre, uma beleza de incontornáveis proporções. Todo o seu corpo abraçava cordialmente o momento, sem ceder a tentações. Ambos esqueciam a velha luxúria, aquele vulgar sussurrar da confraria social, que não se impunha naquela terna viagem, envolta de um convulso mar de sensações. Uma rusga de apreensão, engolir em seco… Eis que o tempo havia parado, há momentos atrás. As mãos agitavam-se, a tensão aumentava e fluidos internos rebelavam-se contra toda e qualquer racionalidade, inexistência que deu lugar à circulação das hormonas e à libertação daquele animal que em todos se esconde. No escuro, sobressaía a tez das suas faces, levemente iluminadas pela luz de lá de fora, pelos candeeiros altos da rua que àquela hora apenas ouvia a chuva cair, incessante, ampliando todo o clima daquele momento. A mesma luz pouca visibilidade dava ao suor que, da cáustica tensão, surgia das faces de cada um. As peles em contacto, porém, absorviam toda a fogosidade do ensejo, e os seus corpos consumiam-se em leves toques, ansiando por mais, ou talvez querendo, em vão, resistir. Mas no clímax do momento, a afeição dos dois corpos e das duas faces dá-se, lábios a lábios, devorando preceitos quaisquer. Envoltos em ternura, buscavam a eternidade do afecto, e era como lavar a alma de meses de sufoco interno.

terça-feira, 10 de Novembro de 2009



“Listen...
There are times when life calls out for a change… a transition, like the seasons. Our spring was wonderful, but summer is over now and we missed out on autumn. And now all of a sudden, it's cold, so cold that everything is freezing over. Our love fell asleep, and the snow took it by surprise. But if you fall asleep in the snow, you don't feel death coming…”


Meu amor,
Efectivamente o Verão chegou ao fim, perdemos o Inverno - e sofri no frio pela tua falta -, perdemos a Primavera - na qual pegaste na minha mão e a voltaste a lançar ao chão -, perdemos um novo Verão, o Outono e não perdemos mais nada. Porque já não há mais nada, porque restam apenas saudades, saudades daquela pessoa que estava ao meu lado pra tudo, e que independentemente de tudo, seria o amor da minha vida. E vais ser. Mas...
(Porque é que todas as histórias têm um 'mas'?)
Todos somos seres humanos e todos erramos, e eu continuo a saber que errei contigo, como tu erraste comigo. Mas todos os teus sucessivos erros para com a pessoa que te amou eternamente enquanto esse sentimento existiu, fez com que a chama se apagasse. Neste momento restam, e sempre restarão, as saudades daquele teu verde olhar. Daquelas tardes fugidas do mundo, daquelas iniciais noites e do crime perfeito que cometemos. Eras tu e era eu, e eu prometi aquilo que não posso cumprir. Não posso cumprir, porque eu prometi não descolar a minha mão da tua, mas daquela pessoa... que já não existe mais.
Oh meu amor... Sempre soubeste que não lidavas com a sanidade mental, nem com alguém que pudesse dar-te o prazer temporário. Somos, talvez, de mundos diferentes, e talvez por isso nunca me tenhas compreendido. Mas se assim é, porque é que te compreendo? (Compreendo, mas não tolero mais.) E não irei mais atrás de ti. As palavras estão gastas, e as memórias não têm mais força sobre nada. O caos tomou conta daquilo que já não era nada, e as tuas palavras soam, como há muito tempo, como flechas no meu coração. Acabaste com a nossa relação há precisamente um ano (faz amanhã um ano), e trezentos e sessenta e cinco dias depois, acabas com o sentimento que ainda existia.
"- Tranquei-te a grades no meu coração.
- E a chave?
- Tenho-a comigo.
- Deita-a fora. Não vais precisar de abrir a porta. Eu não sairei nunca."
As palavras, porém, como me ensinaste, voam. As acções que mais marcaram são também as que mais doeram.
E a pessoa que eras também se modificou, já não és a mesma, e eu já não sou o mesmo. As noites de grandes conversas (como nunca mais terei) e de gargalhadas ao telefone perderam-se nos túneis que escavámos ao longo destes meses, e os sorrisos que fiz - sem que notasses - ao telefone em todas as chamadas que fazíamos, e que somente tu sabias como provocar, desapareceu. Provocaste as lágrimas, atingiste-me e não percebeste nunca a dimensão daquilo que fazias. Ou não querias saber, porque o teu egoísmo é o grande e inigualável rei de tudo aquilo que tu conquistaste... e perdeste.
Restam, as saudades. E as memórias.
Na superfície do rio jazem, baloiçando nas ondas, pétalas arrancadas de uma rosa.

sábado, 7 de Novembro de 2009



Por vezes até a casa mais forte cai diante de outras mais fracas…