domingo, 2 de outubro de 2011


"A distinção entre passado, presente e futuro é apenas uma ilusão teimosamente persistente."
Albert Einstein

 foto daqui

    Será assim tão óbvio para ti como é para mim que nunca arranquei nem nunca arrancarei os capítulos da minha vida que estão marcados pela tua presença?

    A finitude, plácida agora, trágica por simbolismo, condenada pelo ponto final que ambos concordámos em deixar escrito nas folhas do último capítulo em que apareces, teima em projectar-se na minha mente disfarçada de esperança e saudades. Há noites em que a dita finitude se reveste de uma infinidade de momentos que nunca foram vividos, de abraços como os de outrora, olhares de uma amizade que em tudo se desenhava mágica e diferente, como que prognósticos de momentos por escrever nos capítulos que se seguirão a este presente tão vazio de ti. Mas depois torno-me novamente humano, menos literário, menos romântico, tão mais humano. Frio e rancoroso, fervem-me lembranças que ferem o meu orgulho e me fazem afastar-te dos meus pensamentos por ora. Volto a saltar os teus capítulos e recomeço a escrever no presente, sem ti, sem nós. Porque foi assim que as coisas ficaram, porque é assim que as coisas permanecerão. Talvez porque assim seja mais fácil lidar com a tua constante presença ausente.

Afonso Costa

3 comentários:

Ana Dória disse...

Nunca é fácil lidar com os corpos que não se vêem, mas se sentem.
A presença desvanece? Sim, aos poucos.

Belo registo*

Francisca disse...

Perfeito, tenho dito.

Afonso Costa disse...

Anónimo MC, peço desculpa pela demora, mas esta noite ao ver os comentários antigos deparei-me com o teu comentário e gostaria de te responder.

Como tudo na vida, não há ninguém que viva uma experiência que não seja dualista. Como uma moeda, que tem duas faces, inseparáveis, por mais que as queiras separar. E é assim na vida também... Pelo que me dizes, a tua "gaiola" é também motivo do teu amor e da tua dedicação, e por mais que te tentes afastar do "drama" que representa a vida, acabas por ser puxado para ele. Porque o ser humano tem muito essa tendência de evitar, de se defender daquilo que o faz sofrer, mesmo que não tenha consciência disso e pareça que o faz naturalmente. Mas na verdade, repito, a vida é um drama, é complexa. Nada é tão simples como às vezes queremos que seja, e é assim que as coisas devem ser vistas. Não podes negar o amor à "gaiola" mas também não podes negar a tua necessidade de liberdade. E como tudo na vida, o amor tem um preço, as cedências. E tu cedes a tua liberdade em troca daquilo que amas. A questão que se impõe é: o que pesa mais para ti na balança? Se essa falta de liberdade continuar a atormentar-te, mais cedo ou mais tarde vais ter que fazer contas e tomar uma decisão. Como uma vez escrevi «A vida é sempre feita de escolhas e que nunca mas nunca ousemos tentar seguir dois caminhos ao mesmo tempo, pois o fim do homem, salvo as vezes em que escolhe o caminho errado, é (quase) sempre quando escolhe dois caminhos opostos…»

Não posso ter ajudado muito, porque na verdade, és tu que tens que reflectir e decidir por ti mesma. De qualquer maneira, fica aqui a resposta da minha parte. :)

Abraço/beijinho

PS: o teu comentário foi apagado, assim como pedido.