quarta-feira, 12 de outubro de 2011


"Pensar é o trabalho mais difícil que existe. Talvez por isso tão poucos se dediquem a ele."
Henry Ford


    Há momentos em que nos sentamos a um canto e saímos da órbita do planeta terra. Renunciando ao pragmatismo rotineiro, abraçamos pensamentos pouco profícuos numa espécie de lucubração muda em que os nossos olhos se cruzam com os de milhões de pessoas que pela nossa vida passaram. Eis, então, que nos encontramos sentados num cais a olhar para milhares de milhões de momentos e circunstâncias que nos marcaram ou não, mas que essencialmente fizeram de nós aquilo que somos hoje. Eventualmente, muitos de nós, em muitas destas ocasiões, somos interrompidos por alguém que, no frenesim da sua ignorância, acha que a vida é demasiado curta para ser pensada ou, simplesmente, desperdiçada em momentos melancólicos. Mas eventualmente, serei eu um daqueles que, alheio ao cão que ladra, faço prosseguir a caravana por entre os pensamentos que urgem ser reflectidos. Reflicto, portanto.


Afonso Costa

9 comentários:

maria eduarda disse...

tinha tantas saudades de ler-te Afonso. e porque não me espanto por ter gostado deste teu texto também? adoro a tua escrita, nunca pares!

Maria Filipa disse...

é sempre tão bom vir aqui Afonso. *

Anónimo disse...

obrigada

Afonso Costa disse...

Anónimo MC, peço desculpa pela demora, mas esta noite ao ver os comentários antigos deparei-me com o teu comentário e gostaria de te responder.

Como tudo na vida, não há ninguém que viva uma experiência que não seja dualista. Como uma moeda, que tem duas faces, inseparáveis, por mais que as queiras separar. E é assim na vida também... Pelo que me dizes, a tua "gaiola" é também motivo do teu amor e da tua dedicação, e por mais que te tentes afastar do "drama" que representa a vida, acabas por ser puxado para ele. Porque o ser humano tem muito essa tendência de evitar, de se defender daquilo que o faz sofrer, mesmo que não tenha consciência disso e pareça que o faz naturalmente. Mas na verdade, repito, a vida é um drama, é complexa. Nada é tão simples como às vezes queremos que seja, e é assim que as coisas devem ser vistas. Não podes negar o amor à "gaiola" mas também não podes negar a tua necessidade de liberdade. E como tudo na vida, o amor tem um preço, as cedências. E tu cedes a tua liberdade em troca daquilo que amas. A questão que se impõe é: o que pesa mais para ti na balança? Se essa falta de liberdade continuar a atormentar-te, mais cedo ou mais tarde vais ter que fazer contas e tomar uma decisão. Como uma vez escrevi «A vida é sempre feita de escolhas e que nunca mas nunca ousemos tentar seguir dois caminhos ao mesmo tempo, pois o fim do homem, salvo as vezes em que escolhe o caminho errado, é (quase) sempre quando escolhe dois caminhos opostos…»

Não posso ter ajudado muito, porque na verdade, és tu que tens que reflectir e decidir por ti mesma. De qualquer maneira, fica aqui a resposta da minha parte. :)

Abraço/beijinho

PS: o teu comentário foi apagado, assim como pedido.

Ana disse...

Refletindo não mudaria nem acrescentaria uma virgula. (:

kirah disse...

ah, refletir é preciso, pensar é preciso, senão viver seria apenas um passar o tempo, sem sentido algum...

seus textos nos proporcionam muito disso, momentos de reflexão...

bjus da kirah^^

Anónimo disse...

Obrigado Afonso, ajudas pelo facto de me pores a pensar ;)

beijinho
Marta

Cármen disse...

Eu sou essa figura caricata que frequentemente ignora as noções de rotina e de tempo... e fica num estado de pura imaginação, contemplação e reflexão. Durante horas, se assim desejar. :)

Cármen disse...

Com isto, reportaste-me para um pensamento diferente daquele que queria expressar assim que comecei a ler.
Henry Ford diz isso... e di-lo muito bem. Contudo, é um pouco irónico que ele o diga. Não achas?