sábado, 27 de março de 2010

[Foto: Deviantart]

A vida é, para mim, como as carruagens do metro… Enquanto percorremos a linha da vida, vão entrando e saindo pessoas. Das que entram, uma esmagadora e assustadora maioria acaba por sair, facto do qual não temos plena consciência até que um dia nos sentamos no sofá a ver álbuns de fotografias e a recordar o passado. Quanto a essas mesmas pessoas que saem da nossa carruagem… Bom, esse é o caso mais doloroso. Na sua maioria, saem despercebidamente, pois não nos são essenciais. Mas há uma minoria, pessoas que nos foram especiais em qualquer momento ou fase da nossa vida, que infelizmente acabam também por sair. Destas que saem, muitas são as que não voltam a entrar, embora haja as suas excepções. Existem, não obstante, algumas que voltando a entrar… não se voltam a sentar no mesmo lugar, e esta é a regra sem excepção. E escrevendo isto, sinto-me a rever todos os anos da minha vida, em género de momento flashback, nos quais pessoas importantes foram entrando inesperadamente… e saindo… inesperadamente. Enquanto oiço as músicas que me fazem lembrar, cada uma, um momento específico da minha vida, vou recordando algumas pessoas que saíram e que não voltaram a entrar, e das quais algumas continuam com um lugar especial, mesmo depois de todas as discussões, mesmo depois de tudo o que se viveu, e nunca mas nunca outra pessoa poderá ocupar o seu lugar (como o teu, M). Infelizmente para essas pessoas posso não ser nada, mas não é o que os outros sentem que me move, mas aquilo que eu sinto, e só por isso, estou de consciência tranquila.

Afonso Costa

13 comentários:

- Jezebel disse...

amei o texto ;)
expressas-te de uma maneira formidável :$
adoro a música de perfil
beijinho

Paula disse...

A verdade é que a vida é de facto um metro, como dizes, onde entram e saem pessoas, constantemente, havera sempre quem volte e quem não volte mas ainda assim tenha sempre lugar por mais pessoas que entrem. E, apercebendo-me isso custa seguir em frente sabendo que muitas das pessoas da vida vão sair inevitavelmente, seguir o seu rumo. O tempo nao volta atras, mas custa quando a vida segue levando-nos a realidade, os momentos felizes que temos a certeza que marcaram a nossa vida. Mas sei, é também que é assim que crescemos como pessoas e como ser humanos...é uma fase que termina e outra que começa e é preciso saber seguir em frente.
E, sim o amor tem mais depressa prazo de validade que a amizade. E, talvez seja um pouco exagerado e errado mas uma vez escrevi 'O amor pode acabar mas a amizade apenas é adiada por tempo indeterminado.'

Por entre o luar disse...

Amei. amei, amei =)

Há sempre lugares especiais, e tenho a certeza que por esses lugares vão passar muitas pessoas, mas nenhuma nos fará sentir aquilo que sentimos pela pessoa que o ocupou inicialmente* Esse lugar da carruagem estará sempre marcado por ela
=)

bEIjinnhooo Afonso*

Rui R. disse...

este texto... verdade, mesmo.

Inês disse...

Não imaginas o quanto me identifiquei com este texto hoje, mais do que sempre, ainda por cima com a analogia ao metro. Adorei, Afonso.

E muito obrigada pelo teu comentário, tocou (:

filipa disse...

Adoro Lisboa por completo, e não poderia estar mais de acordo contigo neste texto !

P' disse...

Afonso, amei , mesmo.

Por vezes também tenhonecessidade de recordar quem saiu e que sei quenunca mais voltará a entrar.

S* disse...

E a cada estação as pessoas mudam... mas algumas ficam até ao final da viagem.

Catarina Costa disse...

Está lindo.

OTMA disse...

O texto está formidável

MM disse...

Adorei! :)
Identifiquei-me tanto com o que escreveste!
Continua :D
Beijinho (desculpa a invasão)

Isa Meireles disse...

arrepiou-me a alma. Meu deus, a música, as fotografias e estas letras do coração MEU DEUS! Parabéns ... Há aqui arte. muita arte!

rita disse...

O texto exprime tudo o que a fotografia retém, está lindo.
beijinho