quinta-feira, 19 de novembro de 2009


“Torna-te o que tu és!”
Friedrich Nietzsche


[Foto: Portugal dos Pequenitos, Coimbra, Abril 2009]

Ode à liberdade

Quanto ou quando o faças,
Fá-lo na suprema totalidade de ti,
E que quando forças expirarem,
de ti só levem as mesmas
Menos a vontade e a inteligência.
Terás tudo o quanto quiseres
Se perante Deus te sentires
Rei de ti próprio e a Ele
Nada pedires, porque assim
Terás tudo aquilo que almejastes.
Mas não esperes sentado
Porque aos Deuses também
a inteligência foi dada.
Trabalha e canta pelo campo
E no final colhe as suas flores.
Dá de ti o máximo que não tens,
Alcança o que não te foi permitido,
Porque a regra é quebrá-la;
E os vencedores sê-lo-ão
Se assim o resolverem.
Consumados os factos, sê livre
Nas regras que construístes,
Nas leis que são tuas,
E serás tu e não outros.

Afonso Costa

15 comentários:

Daniel Silva (Lobinho) disse...

Afonso

estou deleitado com a singeleza deste poema, desta ode, desta interpelação directa ao outro.

Está qualquer coisa para além de divino.

Obrigado, Afonso. Uma pérola, acredita.

Um abraço amigo

mia disse...

fiquei incrivelmente admirada com a capacidade que algumas (poucas) pessoas, têm de fazer poemas, lindos, como aquele que tu fizeste. estás de parabéns.
continua. um beijinho

Paladar disse...

Parabéns Afonso, está muito muito bom. Que grande liçao :)

Leto of the Crows disse...

Posso dizer que simplesmente adorei este magnífico poema.

"Consumados os factos, sê livre
Nas regras que construístes,
Nas leis que são tuas,
E serás tu e não outros."

Liberdade!

- jezebel disse...

tão lindo *.*

filipa disse...

está lindo +.+

Inês disse...

gostei muito Afonso :)

al disse...

omg :o

muitos parabéns :') *

Paula disse...

Para ser grande, sê inteiro...
Para ser grande, Sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a Lua toda
Brilha, porque alta vive.

Ricardo Reis

Foi o poema que me veio á mente assim que comecei a ler. De facto devemos nao so lutar inteiramente com todo o corpo e alma em tudo o que fazemos como tambem colher os frutos desse trabalho, seja lá o que for.

'E que quando forças expirarem,
de ti só levem as mesmas'

Mais que singelo, ou unicamente maravilhoso é verdadeiro. Parabens por isso :)

*Ariel* disse...

"Dá de ti o máximo que não tens,
Alcança o que não te foi permitido,
Porque a regra é quebrá-la;
E os vencedores sê-lo-ão
Se assim o resolverem."

Está soberbo! Todo o poema. Se algum dia escreveres um livro tê-lo-ei entre os da minha cabeceira.

:)*

U disse...

oh, se não te venero, oh oh

Carolina disse...

Fabuloso.

Mysterious Girl disse...

Genial! :)

Carla disse...

muito bom o teu poema...mas a liberdade plena não é nada fácil de alcançar
beijos

Joana M. disse...

Ode à liberdade é quase um pleonasmo. Ode porque triunfal, livre porque triunfante.

Adorei Afonso.