segunda-feira, 19 de outubro de 2009



[Foto: Oriente, Outubro 2009]
São nas verdes águas do rio que vejo os teus olhos, de cada vez que sozinho me sento em sua frente a imaginar-te.
São nos carros que se aparentam formigas a passar pela ponte lá ao fundo que imagino o quão longe estás de mim, o quão longe sempre estarás, não obstante, sempre presente no meu olhar.
São nas pessoas que passam por trás de mim, atrás da sua vida, que isolo o seu mundo do meu. Todo o mundo se agita, vive, canta, dança, chora, ri, e eu, no meu mundo, nem choro, nem rio, nem falo, muito menos me sinto feliz ou triste. Apaticamente vivo (...).
São nestes momentos, raros por sinal, que me apoio, porque não preciso de força para pensar, rir, chorar, ser feliz ou triste. Simplesmente relaxo. E enquanto lá fora a chuva pensa em voltar (Oh, como detesto a merda do Inverno), desenho pensamentos de ti, onde ganho forças para encarar a tua distância e a podridão de cordas sentimentais que nos uniram. Penso em ti, e sei que, por mais pessoas que entrem ou saiam da minha vida, haverá sempre destes estúpidos - porém tão admiráveis e bons - momentos em que me sento em frente ao rio e olho para os teus olhos reflectidos nas águas verdes do rio Tejo. Por vezes torna-se ridículo, outras vezes torna-se sério. Há quem não acredite em mim, há quem acha que faço drama, há quem não me leve a sério, há quem já, finalmente, acredite em mim, e há quem sempre me compreendeu. Não me interessa, afinal interessa-me o que eu acho, vivo-me a mim, não aos outros.
Depois, por fim farto de dramas e 'desdramas', levanto-me e vou para casa. Preparo-me, enfeito-me de futilidades, roupas e acessórios, perfume e disposição para uma noite de loucura; danço, canto, rio, fumo, bebo e faço merda. Volto para casa, durmo e no dia seguinte a vida continua.
Tenho tantos defeitos como qualquer outra pessoa. Mas sou perfeito, para mim, e à minha maneira. Se não o fosse para mim, não seria feliz. Sou-o, e não é graças a ninguém. Se o devo a alguma coisa, terá que ser às circunstâncias da vida. Apesar disso, porque não tem nada a ver, amo-te porque não tenho razão para te amar. Apeteceu-me dizer.

12 comentários:

Daniel Silva (Lobinho) disse...

Num misto de elegância literária e nudez das palavras, escreves muitíssimo bem este texto onde te expões. OU talvez não.

Grande abraço

Anónimo disse...

Tudo muda e mesmo que tentemos não dá para mudar por vezes o que mudou...as vezes descobrimos uma forma de lutar no sítio errado, descobrimos uma forma de nos levantar-mos sem perceber-mos que cada vez mais estamos a cair...as coisas más acontecem a todos nós...e as vezes a história de uma pessoa, de repente torna-se a historia de outra...quer essas pessoas sejam amigas quer sejam grandes rivais...a vida é assim...é completa de imcompletidão é perfeita de imperfeitidão e cheia de vazio...não sou quem podia ser, nem quem devia ser...sou feliz vivendo sozinho o meu "eu".

Afonso disse...

Depende, é relativo e varia de pessoa para pessoa. Eu não caio por isto, bem pelo contrário, dá-me orgulho ter uma história que relembrar quando estiver velho a ler o jornal numa cadeira xD. É por essas e por outras que a vida é a coisa mais linda que existe x)
Já, agora, quem és?

Anónimo disse...

a vida é uma história...é por isso que existe a velhiçe...a velhice é o augedas histórias...é o fim de muitos capítlos...

eu sou o anónimo, que gosta de ler boa escrita

Anónimo disse...

Bela foto, já agora...=D

Arrogancia disse...

ó anonimo deve custar muito dizer quem és!
Olha não brinques, porque a brincar a brincar o macaco foi ao cu á mãe.

Qel disse...

afonso, afonso, posso citar um comment de resposta que fizeste no teu post anterior que eu achei de outro mundo numa colunazinha no meu blog, posso? Eu prometo que escrevo entre aspas e se quiseres faço uma hiperligação praqui. Mas deixas? *.*

Mara disse...

«Apesar disso, porque não tem nada a ver, amo-te porque não tenho razão para te amar. Apeteceu-me dizer.»

És tão apaixonado. Louvado sejas!

Anónimo disse...

sou o andré!! peço desculpa por nao me ter apresentado...já vi que nem comentar blogs se pode. desculpem então.

Rafael Castellar das Neves disse...

Triste e tenso! Muito bem feito...gostei!

Abraço,

Rafael

ashley. disse...

obrigado,não me passou mas quis passar. se me entendes :s

gostei! gosto das tuas palavras,não tens medo,pelo contrário,tens bastante garra!

Spiritual disse...

Estavas exasperado, com as emoções ao rubro!! Está magnífico o texto, tu habituas mal esta gente eheheh... é tão bom o Inverno... e é tããããoooooo booommm fazer merda... sobretudo quando estamos à rasquinha durante muito tempo sem poder fazer e de repente chegamos ao WC ahahahah!! Vá, vá, brincadeirinha... :P Mas é bom, não é? E fazer merda da outra também... dependendo da merda... até para fazer merda a malta tem de saber fazer as coisas como deve ser... :D Acho que deves dizer o que te apetece, sobretudo o que tee vai na alma... quanto mais verdadeiro fores, mais verdade crias ao teu redor... mais coerente consegues que o mundo que crias seja, em ralação a ti... só podes criar um mundo que combine contigo se deixares a verdade vir ao de cime, se deixares o coração falar... :)