quinta-feira, 24 de setembro de 2009


"O tempo é a imagem móvel da eternidade imóvel."
Platão


 [Foto: Linha de Cascais, Setembro de 2008]

Bucólica teima a de pronunciar palavras alheias, frases feitas: "O tempo tudo cura", "O tempo não perdoa"... Na verdade, talvez na minha, o tempo não é nada, não existe. Ele não passa de uma criação da mente humana para satisfazer as suas necessidades de organização de ideias e conceitos, de um esboço que alguém se lembrou de desenhar, e apesar disso, uma brilhante invenção criada para que o ser humano se sinta seguro e se apoie em algo que lhe dê esperança: e espera, e espera, e espera que o tempo passe; mas ele não passa e a vida prossegue, alheia ao conceito de tempo, ao qual se dá tanta importância.
De facto, o tempo não existe. A existência da noção de passado está apenas associada a uma cadeia de recordações, o passado não passa de uma lembrança. Ele não existe de facto, a não ser como uma informação guardada na mente. O presente, esse, que parece mesmo existir, não passa da continuação do desenrolar de acontecimentos, de uma cadeia de factos que se criam sucedendo-se uns após o outro, porque nada acontece por acaso, tal e qual peças de dominó, caindo uma após a outra. A que caiu é passado, a que cai é presente, e a que cairá - sabemo-lo graças à nossa capacidade de raciocinar logicamente - é futuro.
E a maçã que deixaste em cima da mesa da cozinha de manhã, que apodreceu com o passar do tempo... Terá apodrecido com o passar do tempo ou por causa das reacções químicas?
E a dona Maria que se vê ao espelho observando as rugas, repara como o tempo passa. Afirma para si que ele não perdoa, desconhecendo que não foi o tempo que as criou, mas a lei da gravidade.

9 comentários:

Mara disse...

Agarramo-nos ao tempo porque é a única coisa a que nos podemos agarrar quando a vida não nos abre as janelas, quando um grande amor parte deixando em seu lugar um amontoado de dores lancinantes. E depois acreditamos que "o tempo tudo cura" mas o tempo nunca mais vem e as feridas não cicatrizam.
Quem dera se o tempo existisse e nos salvasse rapidamente.

beijinho Afonso
Brilhante...as always*

U disse...

a Mara disse tudo.

filipa disse...

está perfeito Afonso :)

Catarina disse...

Custa encontrar um Blog tão bonito e conseguir comentar. Maravilhoso, como sempre.
Beijinhos.

deborah disse...

nunca tinha pensado no "tempo" desta maneira, mas agora que vejo acho que é verdade o que dizes, o tempo não é nada..

*Ariel* disse...

Ensinaram-me uma vez, respondendo às minhas constantes perguntas sem resposta sobre a importância do tempo, que somos nós que temos o tempo. Porque por mais que ele "passe sozinho", somos nós que o passamos - somos nós que passamos tempo, e fazemos do tempo aquilo que quisermos. As reacções químicas é que provocam as rugas e a podridão da maçã: mas não se sente a gravidade a puxar a pele, não se sente o "podre" a aumentar - sente-se o tempo passar. E talvez por isso se culpe o tempo, porque o sentimos mais que as reacções químicas acumuladas.

Adoro Michael Bublé :)

Beijinho Afonso*

Por entre o luar disse...

Poois, talvez o tempo não passe disso, um mero conceito...!

O tempo não cura, nao perdoa... Nos é que nos libertamos, nós é que tomamos ou não a atitude de perdoar.. o tempo é um factor apenas!

BeijinhoOs

Carolina disse...

amei.

Marianita disse...

Sim o tempo provavelmente não é nada.
Sim e gostei deste texto, do teu ponto de vista, e acho que tens alguma razão =)
beijinho Afonso