quarta-feira, 22 de dezembro de 2010


“A prisão não são as grades, e a liberdade não é a rua; existem homens presos na rua e livres na prisão. É uma questão de consciência.”
Mahatma Gandhi


    Começo o parágrafo com uma pergunta: existirá melhor altura para reflectir sobre quem fomos, quem somos e quem queremos ser que nesta altura do ano?
    Faço-vos pensar com um segundo parágrafo em que vos questiono na base das nossas semelhanças enquanto seres humanos: Quantos assuntos pendentes temos por culminar, acorrentados ao medo ou à preguiça? Quantas atitudes obtusas temos por via da injecção de preconceitos que a sociedade nos fez (e que insistimos em ignorar, argumentando e defendendo as atitudes com base nos "fortes valores" que temos)? Quantas vezes mentimos para evitar uma situação e arrastamos a verdade como se arrastássemos a nossos dedos dos pés toneladas de ferro atrás? E quantas vezes nos queixamos da vida, acorrentados aos sentimentos negativos acerca da mesma que criamos e que cultivamos com base no hábito e na falta de iniciativa para aceitarmos que podemos mudar-NOS e à nossa realidade? É fácil ser-se inteligente e entrar pelo caminho mais fácil ou mais rápido, é fácil ser-se poeta e escritor de vagas ou sentidas palavras, é fácil ser-se pintor de obras de arte e é demasiado fácil responder à mais difícil das perguntas matemáticas, físicas ou químicas. É, sim, difícil contrariar o nosso lado não-racional e por isso mesmo, aquele que de certo modo está ao relento e sujeito às nossas maiores fraquezas. Por outro lado, a racionalidade e a inteligência a si relacionada (caso exista) é pragmática e fácil de uso; foi-nos dada como presente. Treinemo-la e usemo-la para libertarmos algumas das correntes a que nos escravizámos.
     Termino, por fim, e com algum sentido estético e sentimental que poderá mexer ou não connosco de acordo com aquilo que de comum encontramos nas respostas a estas questões, com um terceiro parágrafo-questão: Já nos perguntámos a nós enquanto seres vivos integrados nesta pútrida sociedade de quantos preceitos e conceitos, "verdades" e defeitos - nos quais se incluem o mísero orgulho abraçado à teimosia e à vontade de afirmação - estamos presos e acorrentados?

São perguntas estas que faço agora para que sejam respostas as que de seguida procuraremos obter...

Afonso Costa

9 comentários:

joanaa (: disse...

esta lindo :o

filipa disse...

dá que pensar Afonso *

Joana disse...

Algumas das perguntas que deixas no ar costumo fazê-las todas os anos e outras faço-as várias vezes no ano. :)

Feliz Natal e excelente 2011.

Beijinhos

Daniel Silva (Lobinho) disse...

Afonso, os teus posts são sempre todos tão cheios de tudo, que se torna difícil separar os teus temas mais recorrentes ou as tuas questões mais prementes e sempre eternas! No entanto, escreves com a boca, com coração e contigo todo. Num mundo eivado de preconceitos, medos, reclusões, incertezas e indiferença, provavelmente sim, todos estamos acorrentados, para o bem e para o mal...

Somos seres relacionais e isso dificulta sermos inteiramente livres. Mas é nesse entretenpo, nesse intervalo da nossa mente que fervilha e dos nossos afectos que se insurgem contra tudo, que temos de lutar e resistir para sermos nós mesmos...

Tens, de facto, belos posts.

Desejo-te, Afonso, um Natal feliz, calmo, com paz, independentemente da concepção que tenhas dele.

Um abraçoooooooooo ;)

Lobinho

driftin' disse...

Pego num Nocturno de Chopin.

Tento - ainda que possa parecer difícil - misturá-lo com o silêncio daqueles sonhos que se atrevem a desafiar a racionalidade.

...E, então, sou surpreendido pela mais concreta evidência: por muito que não o queiramos admitir, o facto é que estamos presos e acorrentados. Não sei muito bem como reagir a esta constatação, mas, em todo o caso, a verdade é que ela não me agrada.

Que fazer?... Rasgar os vínculos quase sempre imperceptíveis? Armadilhar por dentro a estrutura deste vazio em que nos movimentamos?

São demasiadas questões para o tempo que a vida concede!...

http://abebedorespgondufo.blogs.sapo.pt/ disse...

Feliz Ano Novo 2011.

Daniela* disse...

Sinceramente nunca tinha aplanado sobre este blog e hoje devo dizer "Com muita pena minha". Gostei imenso do que li e adoro a forma como esta' delineado a formatação do blog, uma frase, uma imagem, um texto ! tudo tao bem estudado e intercalado entre si.
Este texto, é realmente bastante pertinente e as perguntas retóricas fazem todo o sentido!
Adorei e sigo !
Beijinho Afonso :)

m.sunshine disse...

"É, sim, difícil contrariar o nosso lado não-racional e por isso mesmo, aquele que de certo modo está ao relento e sujeito às nossas maiores fraquezas." e é exactamente isso que estou sempre a dizer. as pessoas deixam-se ir com a corrente, e nem se atrevem para ir contra (mesmo que hajam imensas razoes para isso). escrevi à uns dias um texto sobre isso. *
este blog é quase tão magnifico do que uma viagem autentica. parabéns :)
mais um ano que passou, em que eu o sigo, e mais um ano em que este é o meu blog preferido de sempre.

Ana Filipa disse...

Adorei!
Parabéns pelo blog!