domingo, 1 de agosto de 2010



































Perdido ou reencontrado por te achar
Contemplo-te vagamente oh mar,
Que nas tuas ondas acabo por me embalar,
E nos versos da tua maresia por me encontrar.

Mas toda a verdade é perder-me em desdém,
Ser ninguém,
Nas mentiras da minha existência,
Nas personagens que ouso aleitar

(Oh mar)

Porque trago no olhar
A ceara dos meus sonhos
Os meus deuses e os meus êxtases,
Por onde aprendo a voar, a velejar
Constante e continuadamente,
Entre arrufos e tempestades da razão
Entre mim e eles, monstros do coração
Essência da minha inexistência,
Reencontrada, por ora, na mais pútrida demência.

Afonso Costa

13 comentários:

Catarina disse...

Gostei muito , que belo poema afonso .

Beijinho

Miquelina Giancomote disse...

Que bonito poema .

Paula disse...

Bela interpretação do eu. (:

Joana Filipe disse...

Ja nao passava por aqui a muito tempo ..:)

Adorei os teus post e as fotos wow!| :O Nem palavras tenho!
Vi no hi5 que vais ao SW! Eu tambem vou xD ! E diverte-te! :D

Moonlight disse...

Afonso,

Aprecio as tuas palavras.
Belo e sentido este teu poema.
Mas o que mais me fascina são as tuas lindas e maravilhosasa fotos.
Parabens,e já agora...Afonso,estamos constatemente a aprender a velejar pelo mar das nossas vidas turbulentas!

Bj com luar

. disse...

está lindooo!
beijinhos*

Inês disse...

Afonso, tens um dom :)
( e adoro a música )

Beijinhos *

Beatriz disse...

Adorei!:)

Rúben De Brito disse...

Afonso, antes de qualquer resposta, dignamente reparo que não há qualquer motivo que justifique o teu pedido de desculpa devido ao tamanho do teu comentário ao meu texto, «Cabisbaixez».
Posto isto, digo-te que o protagonista daquele micro-conto, que nada é senão um manifesto, é construído à imagem de um operário, nomeadamente soldador naval. Não necessário ser portador de uma vasta cultura para se saber que muito destes homens (direi até em corpos precários), porventura portugueses, em pleno Século XX andavam pelo ultramar. Fizeram viagens bastantes e percorreram longas distâncias. Conheceram o tão famoso Oriente que cá imaginamos com esplendorosas relíquias mercantis, e de igual modo puseram a vista em cima de Norte a Sul e Ocidente, mais concreto e palpável a nós que em parte deles habitamos.
A problemática que trago ao de cima é a simplicidade com que estes senhores conheceram a partir do toque vários locais do globo e que, durante a vida, leram alguns livros - notem-se mais ou menos sérios. É a chegada e a partida dos cinquenta que culmina numa espécie de acepticismo (refiro-me estreita e indelevelmente a uma espécie de sujeito que toma por certo e universal o saber que possui ou, ao invés, o seu ponto de vista sobre o mundo não dando possibilidade para um outro expôr a realidade de que nunca houve, não há e jamais haverá uma verdade absoluta, objectiva e definitiva). De grosso modo, todo este comportamento é a prova do maior dogmatismo que possa existir que nesta faixa etária considero um surto psicótico de dogmatismo exacerbado.
Relativamente a estas perspectivas [dos homens aparentemente grisalhos] (pouco fundamentadas) são impenetráveis.
É sobremaneira necessário este manifesto que escrevi e saber vê-lo, bem como senti-lo, na sua mais pura subtileza (e isto não é uma auto-lisonja!) - nem sempre os cabelos brancos significam sabedoria, mas por vezes a demonstração de que o corpo é um mal precário e a mente um bem mal alimentado.

strange person disse...

Sempre com grandes fotografias! adorei! O blog está, basicamente na mesma, sempre arejante :)

Estou de volta :D

ParadoXos disse...

Afonso, este é um dos teus documentos poéticos mais maduros e bonitos que li aqui!


é poesia, é!!


abraços


Heduardo

Maxwel Quintão disse...

Adorei este teu poema!

Minnie disse...

Tu és realmente magnífico. Tens um dom enorme. Não o abandones, por favor!
Tens muita, muita sorte.

Beijo