sábado, 6 de fevereiro de 2010


"Magoar alguém é transferir para outrém a degradação que temos em nós."
Simone Weil

[Imagem: Google]

Sussurramos ao ouvido de quem queremos que nos oiça quando queremos ser compreendidos, e é o que eu faço aqui... Sussurro, palavra após palavra aquilo que sinto por te ver assim, e então respeito o silêncio que me pediste, deixando aqui, porque sei que vais ler, palavras mudas que provavelmente o vento levará. Estou farto de te ver magoar pessoas, cansa falar-te sem ser ouvido (sei que o sou por vezes, mas não chega), cansa ver-te perdido num mundo que ainda não compreendeste e castigares os outros por isso... Eu sei que não oiço os outros, mas procuro magoar-me a mim primeiro, tentando não magoar os outros. Eu sei que já magoei pessoas, mas eu arrependi-me, e embora o perdão não apague o passado, eu pedi-o. Mas tu não te arrependes, e tomando consciência do que fizeste, não tomas a iniciativa de pedir desculpa. Vejo-te à deriva, procurando algo que nunca achas, e guardando em ti frustrações que preferes que não sejam vistas. Queria poder não me preocupar, mas isso é aquilo que eu faço com qualquer pessoa que vai a passar na rua, não com o meu melhor amigo. Só não me desiludes porque perdi a capacidade de me desiludir com qualquer ser humano, já o conheço quase que a cem por cento, e compreendo todos os seus defeitos, mas existem defeitos que podem ser mudados. O mundo seria um lugar melhor se nos preocupássemos mais, em vez de 'deixar andar', especialmente quando continuamos à deriva sem encontrar terra firme. O teu principal problema continua a ser o facto de tu seres a versão perfeita de ti mesmo.

6 comentários:

Catarina disse...

Será realmente a versão perfeita de si mesmo?

Brid disse...

Existem muitas pessoas assim... e o pior é que são casmurras! É dificil fazer uma pessoa mudar quando ela não quer, mas tu, como amigo, fazes bem em alertá-lo. É o melhor que podes fazer, mudar só ele mesmo poderá ter a iniciativa*

Paula disse...

Preocupamo-nos sempre primeiro com aquilo que amamos e só depois connosco. Tentamos a todo o custo abrir os olhos ver o que nos vemos...mas e por muito que doa nem sempre esta nas nossas mãos.

Bárbara Costa disse...

O mundo poderia ser um mundo melhor se mudássemos coisas muito pequenas. Uma junção de coisas insignificantes pode torna-se significativa.

Tanto este como os outros textos estão profundos e chegam mesmo ao coração, parabéns :)

Daniel Silva (Lobinho) disse...

Afonso, no desencanto do que escreves, está também a sapiência da realidade. Parabéns. Pena é que pessoas existam que se arrastam consigo mesmas sem se importarem de arrastar os outros... magoando-os, indiferenciando-os ou evitando.

Enquanto nao se conhecerem a si, nunca mudarão.

Abraço grande

Angel disse...

Afonso, acredito que amigos devem, sim, dar conselhos, tentar ajudar o outro a melhorar, a não errar tanto. É algo nosso isso, de querer o bem daqueles que gostamos. Mas acredito, também, que devemos entendem e aceitar que os conselhos poderão não ser ouvidos, e que a vida irá ensinar quem não os ouviu. Aprendemos com a dor muito mais que com palavras, infelizmente.

Escrevi um post sobre isso... Esteja ao lado de seu amigo, sempre, e por vezes, deixo-o aprender com o mundo.

Gostei muito do blog, vou seguir, com certeza!

Abraços.