domingo, 6 de dezembro de 2009



What if I had never let you go
Would you be the man I used to know
If I'd stayed
If you'd tried
If we could only turn back time
But I guess we'll never know


(What If - Kate Winslet)

- Hey, espera... Não te vás já embora. Deixaste cair esta folha...
Levou a folha à sua mão e, por momentos olharam-se nos olhos.
- Só te queria dizer pra não ires totalmente embora. Fica com a pulseira, e... Bom, e não te esqueças de mim. Porque eu nunca me vou esquecer de ti.
Por vezes, ele dramatizava muito algumas situações. Mas era tipicamente dele, e desde sempre que vive a vida de um modo intenso e tocante. Isso irritava-a, mas era algo incontrolável. O vento tinha-se levantado e já só se o ouvia levantando as folhas, enquanto os seus cabelos esvoaçavam. Ficaram parados durante uns instantes, e quando ela lhe virou costas, ele acrescentou num tom mais alto, fazendo-se sobressair pelo som do vento:
 - Sempre que olhares a Lua... - (momento de pausa) - Sempre que olhares para a Lua, lembra-te que um dia ficámos realmente distantes, como "aquelas luzes", e que um dia há coisas que acontecem, porque têm que acontecer, mas que existem pessoas que ficam na memória e no coração, porque... têm que ficar. Ah, e eu prometo sorrir na tua ausência, se tu também o fizeres.
O vento aumentava de força, levando-os a semi-cerrarem os olhos. Sorriram um para o outro, e depois cada um seguiu o seu caminho.
Ele, porém, parou naquele instante. Fechou os olhos e lembrou-se de um dia ela lhe ter dito "Se um dia chorares por mim, que seja apenas uma lágrima, e que essa valha a pena por todas as outras que não choraste." Quando uma lágrima caiu da sua cara, levada pelo vento, fazendo-o voltar ao presente, abriu a boca, e quase deixou escapar algumas palavras, que manteve apenas em seu pensamento...
 - Feliz Natal, meu amor.

Afonso Costa

18 comentários:

Brid disse...

Não gosto de despedidas, isso doi muito

*Ariel* disse...

Ensinaram-me que aqueles que merecem as nossas lágrimas nunca nos darão razões para fazer cair a mais pequena gota. Eu é que ainda não sei se aprendi, ou se alguém aprenderá a verdade disto um dia.
Este texto está muito simples mas comovente - parabéns.

Um beijinho*

Mariana disse...

simplesmente tocante* parabéns:)

inês chaplin disse...

que texto tão perfeito, não tenho palavras...

Marianita disse...

fantástico e fiquei sem palavras Afonso.
beijinho

Margariida. disse...

Uaau, desculpa invadir, mas adorei, completamente :$*

~ Jessica disse...

Andava meia ausente, sim. Muito trabalho e o espírito também não estava nas suas melhores condições :)

Já agora, adorei o texto * (ah!, e a musica dos Switchfoot é uma das minhas preferidas.)

um beijinho Afonso :)*

Sou a Joana disse...

Lindo como sempre, Afonso! Fiquei sem palavras!

-tânia disse...

Adoro a intensidade que depositas em todas as palavras, que nos fazem identificar com cada momento que descreves.
Os fins, são sempre violentos, devíamos deixar que o vento levasse cada memoria, cada mágoa, em cada inverno!
Adorei :)

M' disse...

"e eu prometo sorrir na tua ausência, se tu também o fizeres." Algo que nunca se saberá se o faz x)

gosteii =)*

A Formiga disse...

As despedidas doem sempre, não é?
Este texto está magnifico.
É a primeira vez que aqui venho e pergunto-me se tens sempre esta capacidade de fazer apertar o coração e de misturar emoçoes, em cada palavra que dizes, em quem as lê?
Também vou seguir-te, adorei.

:)

A Formiga disse...

As despedidas doem sempre, não é?
Este texto está magnifico.
É a primeira vez que aqui venho e pergunto-me se tens sempre esta capacidade de fazer apertar o coração e de misturar emoçoes, em cada palavra que dizes, em quem as lê?
Também vou seguir-te, adorei.

:)

eduarda disse...

...já dizia a Mariza "há gente que fica na história, da história da gente" :)

um beijinho *

Mara disse...

Adoro a pessoa que tens dentro de ti só a avaliar pela palavras que aqui deixas.

Lua disse...

Ai lindo, mas triste :/
despedidas sempre dao dolorosas..
Adorei seu blog, beijos!

Patricia disse...

"Fechou os olhos e lembrou-se de um dia ela lhe ter dito "Se um dia chorares por mim, que seja apenas uma lágrima, e que essa valha a pena por todas as outras que não choraste." Quando uma lágrima caiu da sua cara, levada pelo vento, fazendo-o voltar ao presente, abriu a boca, e quase deixou escapar algumas palavras, que manteve apenas em seu pensamento...
- Feliz Natal, meu amor."

- Sem qualquer dúvida, amei, estas palavras chegam até "nós" de uma forma tão forte...

A despedida é um desgosto doce *

R. Branco disse...

que coisa tão bonita que tu puseste aqui :)
Ás vezes as palavras não valem o esforço de serem ditas.

PorUmDiaEscritora disse...

Sem palavras...adorei*