quinta-feira, 18 de junho de 2009



Fiz uma opção e fechei a porta. (Vais mesmo deixar-me ir?)

Caiu o orgulho, a arrogância, o ódio e o amor. Caiu a mentira, caiu a verdade. Caiu o pano, a ostentação e a grandiosidade. Estamos nus frente a frente, separados por um vidro que impede de nos tocarmos. Não voltaremos tão cedo a quebrar esse vidro, e é possível que apesar da verdade à nossa frente, nenhum dos dois volte a partir o vidro.
Segui pelo caminho que me levava aos teus olhos, nunca os alcançando. Olhavas para mim, e eu para ti, vendo o teu verde olhar marcado no céu, e como quem vê um arco-íris, também eu procurava maneira de chegar a ele. Quando mais próximo parecia estar dele, fechavas os olhos e desaparecias, deitando por água abaixo a ilusão que criei em te ter de novo. O arco-íris não passava de um mero fenómeno óptico, uma ponte entre o real e o imaginário, a magia de um momento tão efémero como a sua própria visibilidade. Sempre estiveste tão dolorosamente presente, apesar da ausência.
Mas eis que o caminho que me levava a ti se dividiu em duas direcções. Eu sabia que esse momento iria chegar, mas também sempre esperei que estivesses lá para me guiar pelo teu caminho. Apesar de saber que o caminho se iria dividir em duas direcções, e que teria que optar por um deles, não pensei nisso, e procurei caminhar entre a selva, gritando por ti, todos os dias e todas as noites. Mas como quem procura o pote de ouro no final do arco-íris e não o acha, também eu não te achei. E eis que chegado o momento da decisão, em vez de optar conscientemente por um dos caminhos, vendei os olhos e deixei que o vento me indicasse por onde seguir. Se tiver seguido pelo caminho que me leva para longe de ti, esperarei sempre que os dois caminhos se voltem a cruzar ou que corras atrás e me agarres pela mão (como eu fiz contigo durante estes dez meses), tendo consciência de que não será assim tão fácil isso acontecer.

Como um cão que escolhe o seu dono até ao fim dos seus dias, a quem venera e a quem se dedica 24h por dia e que mesmo que passe anos sem ver o dono, saberá sempre quem ele é, também o coração já sabe a quem pertence. Mas ninguém disse que a vida era fácil e que teríamos tudo o que queremos. Sigo em frente, de olhos vendados, tapando, ao invés apagar (porque é inútil), o teu olhar em mim (que apesar disso, volta todas as noites para me embalar os sonhos),. E tenho consciência de que a palavra “amo-te” nunca mais será pronunciada verdadeiramente por mim a mais ninguém, mas a verdade é que não poderia continuar a pronunciá-la a quem não a quer ouvir. Opção feita, tirei um peso da consciência. Mas tenho medo de estar a caminhar com os olhos fechados. Segui em frente e o caminho avizinha-se longo. E tu, vais mesmo deixar-me ir?

16 comentários:

M disse...

texto verdadeiramente bonito em tudo o que contém! isto sim, é um verdadeiro pote de ouro no fim de um arco-íris. não o percas!

não tenhas medo de estar a caminhar de olhos vendados. hás-de chegar a alguma parte e hás-de encontrar o que é melhor para ti. "Deus não nos dá nada que não consigamos suportar"... e mais. não ponhas em causa o teu valor pessoal.

apesar da minha pequeníssima experiência de vida, aprendi uma coisa que é bom que retenhas e nunca te esqueças: sempre que pensamos que a vida não nos pode proporcionar nada mais maravilhoso que aquilo, estamos enganados. a vida há-de sempre surpreender-te com algo maior do que aquilo que pensavas ser o extremo da grandiosidade. keep going on... e levanta-te após cada queda, mesmo que tenhas os olhos vendados. pouco a pouco, aprenderás a orientar-te cada vez melhor e terás menos medo.

beijinhos e boa sorte!

baby piggy disse...

se realmente deixar é porque não vale a pena.
*

Inês disse...

Amei :)

Se ela souber o quanto vales, não vai. Se ela souber o quanto gostas dela, não vai.
E se, mesmo sabendo, te deixar ir, então é porque não te merecia. *

Mara disse...

Devias perguntar-lhe...

lindo uma vez mais

Aubergine. disse...

Concordo com a U., se depois de tudo o que viveram de todos os momentos que vão ficar na tua (vossa) memória te deixar ir, então segue em frente :)

Beijinho Afonso *

Joana'L disse...

Oh, está bonito... :'D E concordo com todos os comentários, se te deixar ir, segue em frente.

Beijinho*

Filipa disse...

amei o texto, se ela te deixar ir é porque o amor não é o suficiente, se for o contráio, agarra-a e nunca mais a largues :)
Gostei do blog, e a música não podia ser melhor *

Alexandra disse...

Se te deixar ir é porque não te merece, Afonso. Força :) *

Alexandra disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Mar disse...

Vai... segue o caminho mesmo que por enquanto seja de olhos vendados... quando ja tiveres mais capaz destapa-os. Se nao vires o verde dos olhos dela continua. Agora mais seguro. Ja vês o caminho. Mas quem sabe? Podes ter uma surpresa ao abrir os olhos.
:) força. Estou contigo... sempre ;).
Beijinho*

filipa disse...

não te importes de seguir de olhos fechados, todos nós um dia seguimos de olhos fechados.
está tão verdadeiro afonso.
beijinho*

Joli disse...

Não sei como consegues. Não sei mesmo. Não sei onde consegues arranjar tanta força para fazeres o que fazes, para aguentares com tanto sofrimento... Não sei se era capaz... És muito forte, e eu admiro-te*

Por entre o luar disse...

O pior é quando não nos deixam ir, consciente ou inconscientemente isso acontece... Acho que quero mais seguir o caminho da razão...ou talvez nenhum!

Um beijinhoO amei o texto*

Joana David disse...

Espera que o arco-íris deixe de passar apenas de "um mero fenómeno óptico, uma ponte entre o real e o imaginário, a magia de um momento tão efémero como a sua própria visibilidade". Talvez aí possas destapar os olhos para ver se o caminho a que o vento te levou foi o certo.

(E será.) *

Porcelain Doll disse...

Não existem linhas rectas... todas são curvas, porque a Terra não é plana, é curva... porque o espaço não é plano, é curvo... porque o Universo é esférico... e porque o Universo é esférico, não existem linhas paralelas, daquelas que nunca se encontram... caminhando sempre à mesma distância, sem nunca se encontrarem... um dia encontrar-se-ão, no dia em que ambas passarem pelo centro... pelo coração... vidros fizeram-se para serem quebrados, se não por mão humana, então pela varinha de condão, daquelas que produz coisas mágicas e inexplicáveis...

MartaVS disse...

Quanto mais leio, mais vejo como "Um outro lado" agrada a um "Sentido Oposto".
Excelente, parabéns.