sábado, 7 de fevereiro de 2009

Fragmentos

"As quatro coisas que não voltam para trás: A pedra atirada, a palavra dita, a ocasião perdida, e o tempo passado."

sentado no vazio, levavas as mãos à cara e olhavas o teu reflexo esbatido no espelho… eras hoje uma sombra daqueles dias de glória, uma parte do que já foste e já não eras. tinhas rugas criadas pelo sofrimento. fragmentos, era tudo o que restava, fragmentos de ti, manchados por tristeza e melancolia. Foi quando foste buscar o álbum de fotos… ligaste a televisão e te sentaste no sofá. levaste-te a percorrer as memórias de um passado que ficou lá bem atrás, olhando atentamente retratos empoeirados de dias felizes, de sorrisos voluntários, de um gracioso estado de espírito que desconhecia o que era sorrir forçadamente para manter as aparências… mas o reinado da eterna felicidade acabou. quem mais jura mais mente não é? e os sorrisos que juram ser eternos são os mais falsos. pois é! iludem-nos e fazem-nos acreditar que aquele precioso momento, aquele feliz instante inexplicável sei lá eu como, vai durar a vida toda.

basta!”, disseste naquele momento. ahaha! como se o que dissesses fosse sentido. já não tinhas forças para lutar contra aquilo que querias e sentias, dissesses o que dissesses. quando bebeste um gole de água e pousaste o copo, ficando a olhar para a janela, eu percebi que tinhas vontade de desaparecer, de sair dali… talvez mesmo de fugir de ti. e naquele instante, lá fora parou de chover. era o momento ideal, o sol tinha voltado, ainda que por meros instantes. e eu sabia que tu ainda sabias aproveitar os raios de sol que te chegavam, mesmo que tivesses consciência de que não os terias o dia inteiro.

desligaste a televisão e, ao fechar os álbuns de fotografias, deixaste cair uma lágrima numa das fotos. a mancha ficaria lá para sempre para talvez um dia alguém reparar nela… fechaste o álbum e guardaste-o numa caixa, fechando essa mesma caixa num armário, o qual fechaste também à chave. embora estivesses determinado a fechar para sempre algo que te incomodava, sabias que não conseguias. e por isso não deitaste a chave fora. guardaste-a… e num sítio onde saberias que ela sempre lá estaria.
estavas pronto… no auge da motivação, calaste os teus pensamentos e os teus sentimentos. tinhas decidido aprender com o tempo, e querias ser tão frio como o frio que estava lá fora. vestiste um casaco, abriste a porta e saíste de casa. Como saíste!

e agora vai em frente, corre, porque a vida não espera por ti. ;)

(Somos tão parecidos)

4 comentários:

Davi(d) disse...

não sei o que dizer mais para além de: adorei o texto, mesmo :D

voandoporai disse...

"fragmentos de ti, manchados por tristeza e melancolia."

Infelizmente muitos acabam virando apenas fragmentos de si mesmo!
Tentando se apegar a algo morto e falso, que um dia existiu, mais hoje, apenas não faz mais sentido.

Se soltar das algemas ainda não é fugir da prisão!

A caixa ainda ficou lá, as chaves guardadas, o sonho destruido.


Acho que eu sempre tentei escrever isso que você escreveu, mais nunca consegui!

Parabéns, faço das suas palavras as minhas!

Ah e coloquei um link para você em meu blog viu?

Obrigada por esses minutos maravilhos!

GuGaZz'x disse...

texto LINDOO ! ..

agora é seguir em frente ..

Alexandraa disse...

Mais um texto lido, e está... maravilhoso!
Consigo sentir cada palavra que escreves, quase como se estivesses a falar de mim. ^^
És uma pessoa cheia de inspiração, ou então, sabes aproveitar bem o auge e a essência dos momentos que vives ^^


Quanto ao poema que fiz, não tens que agradecer até porque não estava nada de especial. A poesia não me corre nas veias. ^^
E obrigada pelo que disses-te! :)

Um beijinho*