sexta-feira, 27 de maio de 2011


"Os problemas nunca vão desaparecer, mesmo na mais bela existência. Problemas existem para serem resolvidos, e não para perturbar-nos."
Augusto Cury


Todos os dias passam imensas pessoas por mim. Pessoas que não conheço, com quem apenas troco um olhar, ou com quem estabeleço uma relação de serviço, como nos cafés ou numa biblioteca, pessoas que conheço de vista, pessoas que estão presentes diariamente na minha vida, umas importantes, outras nem tanto. E, por fim, existem aquelas que me afectam. Aquelas com quem não consigo discutir sem que, de seguida, me dirija para o meu próprio canto, onde possa partir os cântaros que se encheram de água durante os momentos de fúria. São pessoas que têm a chave do meu coração (pegando neste termo tão cliché que é “a chave do coração”) e que, portanto, sabem todos os mais secretos atalhos que vão dar àquele sítio frágil que todos nós temos. Sabem como lá chegar e sabem como devastá-lo. Não lhes censuro a vontade de o devastar, pois o ser humano, independentemente de ter sentimentos, é um animal e o seu instinto fala sempre mais alto. Mas são precisamente essas pessoas com quem eu nunca poderei travar uma guerra, porque sei que magoado, sou eu também capaz de magoar duplamente. Porque sei que se declarar guerra a essas pessoas, o devastado serei eu, tal que nunca soube nem saberei lidar com os meus próprios sentimentos; por vezes sou pequenino demais para todo o complexo enredo sentimental que, tal fonte quando rebenta, nasce em mim. E a devastação é colossal.

Afonso Costa

7 comentários:

Maria Filipa disse...

A frase antes da fotografia descreve tudo Afonso *

Marie disse...

A tua escrita é genuina !

Paula disse...

Talvez seja egoísta, mais do que eu própria posso imaginar. Mas é pelas guerras que não quero voltar a travar e assuntos que não quero voltar a repensar que há segredos que são só e apenas meus. E sei que quem mais os tem não terá a ousadia de me perturbar com eles...e se o fizer será como só os bons amigos sabem fazer!

AF disse...

adorei mesmo estas palavras, como adoro sempre que cá passo.

não podia deixar de referenciar a música belíssima que tens neste momento!

DP disse...

Podes ser pequeno demais mas existe sempre uma forma de te salvaguardares e sabes qual é essa a forma. Basta olhares para ti mesmo.
Há algum tempo que não deixava a minha opinião, Afonso. Ando mais a ler e a guardar para mim e de vez em quando faz tão bem, também.

Um abraço.

Daniel Silva (Lobinho) disse...

HUm... Nao sei bem que dizer, embora tenha gostado muitíssimo de ler. Um abraço e obrigado pelo texto...

JC disse...

muito bom mesmo :)