terça-feira, 3 de novembro de 2009


[Foto: Lisboa, Oriente, Outubro 2009]

3 de Novembro

(15h00)

De olhos semi-cerrados, deambulavas pela carruagem do metro, pedindo esmola. O desespero pela substância fazia de ti uma criatura perdida, morta para a vida. Pedias porque, sem liberdade e preso ao teu próprio destino - cruel, tão certo -, não tinhas outra hipótese: Existir ou morrer, eis a questão. E dizias, sem um tostão no bolso que "Porra, não dão aos que pedem, só dão aos que roubam? Era melhor que eu andasse a roubar?"

(15h55)
Os meus pensamentos desertaram, de momento, perante as águas do rio que bravejam sem benevolência ao som do vento, hoje mais forte e gélido. Na superfície do rio jazem, baloiçando nas ondas, pétalas arrancadas de uma rosa.

(20h30)
Na minha verdade, pelo menos na minha, o amor não acaba. Ele é o sentimento máximo, e nunca poderá acabar por completo. E uma história de amor não acaba enquanto pelo menos uma das pessoas ainda o sentir. O que acaba realmente são tão-somente as relações concretas, a tensão sexual e o interesse na imagem intrínseca e extrínseca que temos da pessoa (“Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém”, in Livro do Desassossego). O amor, esse, não acaba, e as histórias sobre ele só terminarão quando não houver réstia da poeira que sobrou. Agora, saber e sentir o que é o amor, isso já são outros quinhentos.

16 comentários:

filipa disse...

Adorei Afonso, está fantástico :)

mia disse...

já pensaste em escrever um livro ? fico babada com tudo o que leio aqui. a sério , tens talento :)
continua .

Alexandra disse...

Vês tudo de uma maneira tão correcta, escreves certezas que me acalmam por dentro :) *

Mara disse...

Dá-me tanta calma ler-te...
És inspirador Afonso.

Ana disse...

Adorei, adorei, adorei!
"E uma história de amor não acaba enquanto pelo menos uma das pessoas ainda o sentir."

madu disse...

amor, a complexidade que esta palavra carrega. mas hoje esclareceste-me alguma coisa, obrigada Afonso
mil
madu

Martina S's disse...

"Agora, saber e sentir o que é o amor, isso já são outros quinhentos."

Pois, é mais difícil explicar isso ..

Gostei do teu texto Afonso.

Aline disse...

Muito bom ;)

Daniel Silva (Lobinho) disse...

Amigo

Gostaria que deixasses no post abaixo a tua presença, para um jantar informal onde as tuas ideias para o mesmo serão bem vindas. Vá lá. Vai ser bonito e podes levar quem quiseres (ou não).

Obrigado. abração

http://sairdaspalavras.blogspot.com/2009/11/jantar-de-bloguistas.html

Marta Rosa disse...

Fantastico, tal como a musica e a foto!

[ rod ] ® disse...

Concordo contigo que o amor não é um sentimento para acabar assim de uma hora para outra e que por viver em corações separados defendo a idéia de que uma vez desligando-se a chave que o seja aos pares... abs meu caro.

Laura Matos disse...

Gosto imenso Afonso.

Beijinho (:

Sandra ' disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Sandra ' disse...

Acho que quem ama realmente nunca chegará a saber o que é o amor.

eduarda disse...

e para nao variar, gostei imenso do que li e a fotografia está com uns tons mesmo bonitos :) *

Spiritual disse...

De facto... o amor que é verdadeiro amor não acaba nunca... às vezes até se transforma em outras coisas, não tem de se manifestar necessariamente sob a forma de um relacionamento afectivo... quanto ao pedir e ao roubar... sei que é assim que muitas pessoas que nunca foram capazes de se apoiar em si próprias pensam... as que roubam são as que o fazem, mas da forma errada... se ao menos compreendessem a tal ideia de karma... mas vivem num nível demasiado superficial para isso, ou não o fariam, pois não desejariam que o mesmo lhes sucedesse... ou talvez o desamor por elas mesmas seja tão grande, que talvez não se imprtassem... e isso é que é grave.