domingo, 21 de dezembro de 2008

Rabiscos

Estava uma noite fria e agitada, em que o som do vento se fazia ouvir lá fora, fazendo com que as janelas estremecessem com a sua força. O frio cortava a pele e regelava a superfície. Não havia vivalma na rua durante aquela noite. Felizmente, eu estava no quentinho dos meus lençóis, e tinha companhia. Não uma companhia qualquer, mas a pessoa que eu amava, a mulher da minha vida, a pessoa que todos os dias me dizia: comigo nunca terás frio, nem estarás na rua, nem sozinho, e contigo também nunca terei frio, nem estarei sozinha. Como eu estava feliz pensando na sorte que tinha naquele momento.

Momentos depois adormeci, confortável, isento de pensamentos e preocupações. Porém, a noite iria revelar-se difícil. Sonhei toda a noite, pesadelo atrás de pesadelo que por alguma razão não me fizeram acordar. E eu não acordei durante essa noite. Continuei a dormir até que me acalmei, até que o vento que se fazia sentir lá fora desapareceu, dando lugar a uma atmosfera estranha, parada, sem vida, gelada, que afugentou tudo o que era bicharada. Acordei numa manhã cinzenta e fria, quando tentava procurar os teus pés na cama. Estava frio e eu apenas procurava algo mais quente.

Mas não estavas lá. Tinhas ido embora? Depois de tudo o que me disseste... Como poderias ter ido embora? Havia alguma coisa errada.

Apesar disso, eu esperei, sentado. Porque nada mais me interessava, e porque eu esperava que viesses ter comigo e continuar a fazer aquilo que tantas vezes disseste, as promessas que tinhas feito. Sabia que era uma história por acabar, não estava concluída. E por isso esperei. No dia em que apareceste, senti que toda a espera tinha valido a pena, voltaste para casa e voltaste a dizer-me aquilo que eu queria ouvir, fizeste-me sentir novamente amado, respeitado e compreendido. Dizias que, apesar de tudo, mais valia aproveitar os bons momentos que passamos juntos, e que tudo o resto não interessava. Dizias que me amavas e que por isso tinhas voltado.

Mas há tempos voltaste a partir. Disseste que não era um ponto final, que um dia voltarias. E quando me apareceste de novo, estavas distante e ainda disseste tanta coisa, mas tanta coisa que já não tem uma razão forte de ser como antes. Apareceste apenas para dizer "olá" disseste umas quantas coisas que eu queria ouvir, mas esqueceste-te de que "palavras o vento leva-as, mas as acções são como as rochas". Ensinaste-me que contigo nunca teria frio, nem estaria na rua, nem sozinho, mas esqueceste-te de me ensinar como o fazer sem ti. Mostraste-me o amor, e mostraste-me o futuro, e esqueceste-te de me incluir no teu futuro. Quando voltaste disseste "olá" e que não virias morar comigo, que estavas a morar na casa em frente, e que nada seria igual a partir daquele momento. E eu...

Eu fiquei sozinho... nas escadas da entrada de casa a ver-te de longe, a recordar tudo o que me dizias e a confrontar com o que me acabavas de dizer. Não compreendia, não aceitava. Sentia que não estavas a ver bem as coisas... E continuei a esperar, sentado, observando-te de longe, esperando por uma resposta tua, esperando que viesses ter comigo e dizer que ainda me amas, que tudo não tinha passado de um engano. Mas não vieste, e acenavas sorrindo de tua casa. E eu ali, olhando apático para ti, sem entender nada. Não querias voltar, eu soube naquele momento, quiseste por ponto final na nossa história, o que sentias já não era o mesmo, seguiste por um novo caminho em que eu não me encontrava.

Não te encontro...

1 comentário:

Raquel* disse...

Nao sei o que se esta a passar afonso,
mas tento calcular!
Sei que nao falamos tanto como antes... oh ate ando distante,
porque o sinto comigo propria, que ando distante com toda gente e comigo propria...
Sinto.me a pensar e a questionar tanta coisa..
O porque das coisas serem tao complicadas...
de nunca teres uma perfeição perfeita!
Mas olha acho que a vida é mesmo assim...
devemos lutar por ela, para que ela nao seja tao dura e nos deite tanto abaixo..
Chego a tantas conclusoes,
tantas coisas tanta coisinha em que pensar!*
O futuro so a deus pertence...
mas sermos felizes so a nos nos cabe!
Pergunto.me se sou eu que nao quero ser feliz,
oh se sou eu que nao estou a ser suficientemente forte para combater a tristeza da vida!
Mas sabes nao se podemos deixar ir abaixo,
LUTA SEMPRE
por aquilo em que acredita* :P
Sempre do teu lado para o que precisares